segunda-feira, 20 de maio de 2013

Reflexão sobre o Amor (6) - PENTECOSTES



Amigos... Neste último domingo celebramos Pentecostes e nos deparamos com a beleza do encontro do Espírito Santo com homens em lugares diferentes, sobretudo por que experimentaram distintas sensibilidades da alma (Jo 20, 19): o medo que isola-os num recinto e as paixões que formam um contexto que os intimida. Entretanto, Grecco cantou o drama desses encontros humanos á partir de um ângulo que apresenta-nos o essencial quando os “contrários humanos” parecem um campo de batalha sem um sentido em si: “Sim, todo o homem é bom. Todo o humano é bom. Toda face, olhar e matiz. Sim, todo o homem é bom. Sendo ele o que for. Forte, fraco, tristonho ou feliz. Todos os pobres, os livres, os nobres, os feios, os belos, os ricos também. (...) Mesmo que o mal ronde perto. E nos faça um deserto. Esse bem ficará. E uma gota do céu cairá. Sim todo o homem é bom. Todo o humano é bom. Se ele sabe entregar-se num Sim” (Todo homem é bom). Dessa forma bondade e sabedoria se encontram e se resolvem quando da fecundidade do nosso sim que o tempo joga com a capacidade de deixar os nossos “nãos” para acolher aquele Sim fundamental de Cristo que encontra em nossos terrenos interiores a realidade por excelência para o desdobramento do agir do Espírito Santo que com a sua linguagem torna fértil aquilo que em nós ainda tem a secura de um fogo interior que não purifica-nos. Aqui a Igreja encontra na simbologia dum outro Fogo (CIC 696) uma apresentação daquilo que ainda continua a sustentar o mundo: Pentecostes – que nos encontra em meio as noites escuras de nossos medos para seja Ele mesmo aquela linguagem (2 Cor 3, 3) que consegue dialogar com os homens de todos os tempos por ser capaz de realizar-nos á partir do drama da nossa necessidade fundamental: sermos encontrados pela buscas do Amor. Assim podemos nos entregar mesmo quando os nossos corações tocam a simplicidade das limitações dos nossos presépios interiores, mas sem perder a ousadia paulina de que a minha morte pode ser lucro quando desespero-me de minhas capacidades (Fl 1, 21) então podemos nos encontrar na Igreja em meio aquela experiência fundamental que não envelheceu com o tempo e que encontra sua atualidade quando os cristãos sabem cantar liturgicamente com a vida a vocação de todo drama humano: “A nós descei, divina luz! A nós descei, divina luz! Em nossas almas acendei o amor, o amor de Jesus, o amor, o amor de Jesus.” Ótima semana!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Reflexões sobre o Amor (5)


        Amigos... No último domingo celebramos a beleza que partindo da Ascensão chega a iluminar todas as entregas humanas como que traçando um parâmetro de toda fecundidade de quem ama e isso porque “Um de nossa raça está dentro da Trindade, um de nossa raça é Senhor do céu e da terra, um de nossa raça é Senhor dos anjos, um de nossa raça está no topo de todas as coisas.” (Dom Henrique Soares no site Presbíteros) Uma entrega que carrega o drama de caminhar sob o olhar exigente do Amor de forma que “quem não carrega sua cruz e me segue não pode ser meu discípulo.” (Lc 14, 27) Uma relação tal que nos permite entrar no Seu tempo ao ponto de que a alegria (cf. Lc 24, 52) de quem se percebe nos terrenos do Amor chega a ser um dos discursos mais belos acerca da comunhão de quem sabe entregar-se sob a guia do Espírito. Isso é muito contrário ao medo que entrecorta os dramas humanos diante da necessidade de continuar a testemunhar o Amor mesmo quando não há mais razoabilidade da certeza de que Ele será acolhido nos templos interiores dos corações humanos e nesse sentido trata-se de se permitir realizar-se na entrega Dele “Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza de amor e de sabedoria.” (2 Tim 2, 7) A conciliação desses contrários se dá quando a profissão de fé que brota das limitações do coração chega a cantar a glória do Ressuscitado gritando ao mundo que “Cristo ressuscitou. O sertão se abriu em flor. Da pedra água saiu. Era noite e o sol surgiu. Glória ao Senhor!” (Trecho da música Cristo ressuscitou) Somente assim a glória que entrelaça ressurreição e ascensão recebe aquela plenitude que faz dos nossos ofertórios cotidianos uma autêntica entrega da maior riqueza do homem: o Amor. (cf. Lc 24, 53) Ótima semana!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Reflexões sobre o Amor (4)


       
       Amigos... No último domingo o Evangelho expressou uma beleza que ilumina uma demanda muito cara em nosso mundo interior, trata-se de perceber que o Amor oferta uma paz que é diferente do mundo, como também de que ela nos alcança num momento que aparentemente somos deixados pelo Amado, entretanto, a alegria que brota nestas condições é própria de quem soube esperar (Jo 14, 28). Assim, uma questão que pode iluminar as dores do homem moderno é a maturidade que é gestada no coração de quem sabe amar nas “ausências cotidianas” e nesse sentido o padre Fábio de Melo soube poetizar tal drama quando expressou na música Ausência esta realidade do coração: “Fico então aqui a esperar. Permito-me perder neste sonho de te ver retornar.”; uma realidade que tem por vocação chegar a fazer-se em nossas dores uma oração que o mesmo padre cantou: “Te adorarei, Senhor, de todo coração. Te louvarei, te bendirei, te glorificarei, Senhor. E enquanto espero tua volta eu volto aqui. Te receber em mim eterniza a minha vida.” (Pegadas de tua ausência) Dessa forma a fecundidade da ausência deve-nos abrir para uma realidade de santidade que encontramos um exemplo sem igual com a vida do cardeal Van Thuân que quando preso pelo regime comunista ao longo de 13 anos chegou a perceber o Amor sob um ângulo que praticamente o define como homem conforme o apresenta Bento XVI: "era um homem de esperança, vivia de esperança e a difundia entre todos os que encontrava. Graças a esta energia espiritual resistiu a todas as dificuldades físicas e morais. A esperança o sustentou como bispo isolado durante treze anos de sua comunidade diocesana; a esperança o ajudou a perceber o absurdo dos eventos que lhe sucederam - nunca foi processado durante sua longa detenção - um desígnio providencial de Deus." Assim podemos perceber que aquilo que aparentemente é uma contradição com qualquer percepção atual de paz nos permite intuir que o Amor ainda é estranho a nós, ainda mais quando contemplamos a figura do homem á partir da experiência do cardeal Van Thuân, recolocando-nos em última instância com o drama que tem por problema não a concepção de que “Deus está morto”, mas que tal “ausência” é antes uma forma Dele continuar entregando-se a nós: “Ouvistes o que eu vos disse: ‘Vou e voltarei a vós!’ – É verdade: o Ressuscitado permanece conosco na potência do seu Espírito! Não precisamos ter medo, não precisamos nos sentir sozinhos, confusos, abandonados: na potência do Espírito, o Cristo estará sempre conosco!” (Dom Henrique Soares) Ótima semana!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

YouCat no Seminário Cristo Rei

                       Na tarde do dia 30 de abril, os seminaristas receberam pelas mãos do Arcebispo Metropolitano de Cuiabá Dom Milton Santos um exemplar do YouCat - o catecismo jovem. A menos de noventa dias para a JMJ 2013. 

"Estudai o Catecismo!
Esse é o desejo do meu coração.
Estudai o catecismo com paixão e perseverança!
Para isso, sacrificai tempo!
Estudai-o no silêncio do vosso quarto,
formai grupos de estudo e redes sociais,
partilhai-o entre vós na Internet!
Tendes de estar enraizados na fé ainda mais profundamente
que a geração dos vossos pais,
para enfrentar os desafios e as tentações deste tempo
com força e determinação."

Bento XVI

terça-feira, 30 de abril de 2013

Reflexões sobre os sentido da vida (1)


por Seminarista Carlos Eduardo                
          
 Amigos... Quem assistiu “As aventuras de Pi” teve a oportunidade de se deparar com a busca existencial de um jovem que em meio as muitas demandas de sua vida, que partem desde aquelas ligadas a sua família até o interesse por questões de foro religiosa, nos permiti perceber que as coisas começam a se assentar quando Pi começa a sofrer por estar perdido em um barco com um tigre (Richard Parker) após um naufrágio. Nesse drama carregado de aventura em meio a muitas cenas belíssimas e algumas limitações no campo religioso ainda nos permiti entrever a imagem do homem que o tempo todo em meio a seus afazeres e credos lida com a questão do sentido da vida e no personagem principal do filme chega a exprimir uma tese que parece um verdadeiro milagre em meio a tantos contrastes por ele vivenciados: “Sem Richard Parker eu já estaria morto agora. Meu medo dele me mantém alerta. Atender as necessidades dele me dá um propósito na vida.” Tal se deve a capacidade de leitura dos fatos que brota sem uma lógica aparentemente consistente ao ponto de que a relação com o tigre confere á vida do jovem um propósito, ainda que bastante basilar, mas que é fundamental na sua vida. A questão vai se aprofundando ao ponto de que num dado momento chega a uma síntese que é capaz de ler o real em uma chave surpreendente: “Até quando Deus parecia ter me abandonado Ele estava vigiando. Mesmo quando Ele parecia indiferente ao meu sofrimento estava vigiando e quando eu perdi toda a esperança de ser salvo Ele me deu um descanso e então me deu um sinal para continuar minha jornada.”. A capacidade do personagem em ir além dos dados “beirando o absurdo” para uma aproximação relacional com Aquele que ele buscava em meio aos seus dramas nos permitiu novamente compreender de forma simbólica a questão do homem que também ultrapassa a concretude do real para percebê-lo como um verdadeiro dom e assim ultrapassa a busca em si para uma busca com o Outro. Tal processo relacional com Ele se dá numa realidade que propriamente é de comunhão com os homens dando margem a uma percepção de que em meio aos dramas do personagem denota-se que ele assegura de forma básica que Deus é positivo em relação aos sujeitos permitindo-nos uma aproximação intuitiva que ajuda a dar consistência na ideia de “fé” á partir de Balthasar no Verbum Caro: “A fé não é o nosso movimento rumo a Deus, mas o movimento de Deus em direção a nós. É o prolongar-se de céu dentro do nosso mundo terreno”. Evidente que o filme reserva uma informalidade discursiva que parece dificultar o processo de encontro com a teologia que estamos em colóquio, mas a questão é que o homem em jogo e que está simbolizado no personagem em questão, lida, sobretudo, com o sentido da vida e que mesmo ao perceber o movimento de Deus que cuida de nós, ainda assim o “sentido de vida” permanece, numa tentativa de que até o último suspiro de vida tal sentido saia de uma alta capacidade de lida com o infinito do real para sê-lo a permanência da vida.

Reflexões sobre o amor (3)


                     

                Amigos... No último domingo celebramos uma relação de amor e glória entrelaçada no texto joanino o qual não desconcilia a aparente fraqueza dessa realidade que pode ser compreendida na Cruz em que a Vida vence a Morte. O ponto de encontro é o coração do homem que se entrega nas tarefas cotidianas naquela mesma oferta do sagrado Coração perfurado. “Somente os corações regenerados em Cristo recriarão um mundo novo” (Serva de Deus Madre Maria Teresa Spinelli¹) e por isso tal coração já canta a Vitória que por ora contemplamos de forma imperfeita na esperança certa de que um dia a tensão “amor-glória” se desdobre na realização do “Sede santos como vosso Pai do céu é santo.” (Mt 5, 48) Queridos... O espaço por excelência do Amor que se entrega é a fraqueza de quem necessita ser amado e essa comunhão nos permite compreender o olhar sincero de dom Henrique Soares da Costa ao comentar o evangelho em questão: “Caríssimos, olhem para mim, olhem-se uns para os outros! Somos a cara da Igreja, o cheiro da Igreja, a fisionomia da Igreja, a fraqueza e a força, a fidelidade e a infidelidade, a glória e a vergonha da Igreja! Tão pobre, tão frágil, tão deste mundo… mas também tão destinada à glória, tão divina, tão santa, tão católica, tão de Cristo! Coragem! Vivamos profundamente nossa vida de Igreja; é o único modo de ser cristão como Cristo sonhou!”  Ótima semana!

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¹Fundadora das Irmãs Agostinianas Servas de Jesus  e Maria.

domingo, 21 de abril de 2013

Quero o que quiserdes

Por   Hélio Ferreira da Silva





REFLEXÕES
       Caríssimos, estivemos nos últimos dias, 18, 19, 20 e 21/04/2013, em retiro proposto anualmente pela nossa Faculdade SEDAC (Studium Eclesiástico Dom Aquino Corrêa), e, por essa motivação, aqui vos escrevo na tentativa de expor de maneira simples algumas de minhas reflexões que, no tempo oportuno de Deus, nesse retiro, fui agraciado na meditação. 
      
      O que quero vos dizer é que algo me chamou atenção em uma das orações em ação de graças que nos é proposto no breviário (Oração universal atribuída ao Papa Clemente XI).

Quero o que quiserdes,
porque o quereis,
como o quereis,
e enquanto o quereis.

      No meu caminho de formação no seminário em discernimento vocacional, confesso-vos que, quando, por muitas vezes, disse ao Senhor "seja feita a Vossa vontade" não o fiz com plena consciência de entrega. Deus quer de nós muito mais do que uma simples dimensão da nossa entrega. 
      Na oração acima podemos perceber quatro dimensões que compete ao peso responsável de entregar a nossa vontade a Deus e acolher a dEle sem exitar. Ei-las: escolha, razão, modo e tempo.  
          Dizer, Senhor seja feita a Vossa vontade é dizer que a escolha do que sejas será sempre dEle; as razões, se preferir, os motivos, continuaram sendo dEle, mesmo que, não raro, sejam incompreensíveis humanamente;  a maneira de executá-las e também o tempo, seja tanto na espera da escolha quanto na duração dela.
             Essa verdade existencial encheu de esperança e segurança a minha alma. E por isso resolvi partilhar contigo, você que nos segue no blog, vocacionado ou não. Senhor, eu quero o que quereis, porque o quereis, como o quereis e enquanto o quereis.
            Não tenhamos medo de depositar tudo, tudo mesmo nas mão do Senhor. Essa é, certamente, uma atitude cristã que não se faz somente uma vez. Nossa vontade é frágil e, por isso, precisa diariamente da graça de Deus para ser robustecida. Renove-mo-la varias vezes por dia.
      Digamos juntos com São Gregório Magno: "Nenhuma contrariedade nos afaste da alegria desta solenidade interior... Nenhuma prosperidade sedutora nos iluda". 
             Aproveito o impulso na fé que esse retiro me deu para vos dizer que devemos ser jovens cada vez mais obstinados em fazer tão somente a Vontade Suprema de Deus. Sem medo. 
           Assim como disse Santo Hilário de Poitiers, o apaixonado pelos mistérios de Deus: "Que o ócio e a opulência não sejam nossos companheiros nesse árduo caminho".

Fiquem com Deus!
Por Vosso Filho ó Mãe Pia, 
abençoai-nos ó Virgem Maria!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Reflexões sobre o amor (2)



Amigos... No último domingo celebramos a beleza do encontro de Jesus com Pedro e isso é especial porque o Senhor adentra no histórico vocacional do santo recolocando a questão da entrega a Ele por meio de repetidas perguntas sobre o amor. Entretanto, o “segue-me” de Cristo (Jo 21, 19) é proferido numa relação que pode ser elucidada pela ideia dos rins cingidos sob duas lógicas no versículo precedente: uma pelo interlocutor de Cristo e outra, por diferentes mãos que expressam não a vontade de Pedro, mas a do Mestre (Jo 21, 18). Aqui é significativo um adentrar no texto que quando celebrado liturgicamente é um movimento de Deus que nos encontra com uma determinada história vocacional carregada de limitações e isso, nos permiti compreender que apascentar as ovelhas do Amor pode acontecer quando faço a experiência de santidade como “uma disposição do coração, que nos torna humildes e pequenos nos braços de Deus, conscientes da nossa fraqueza e confiantes, até a eternidade, de sua bondade paterna” (santa Teresa de Lisieux). Diante Daquele que tudo sabe (Jo 21, 17) confiamos nossas imperfeições. Ótima semana!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Reflexões sobre o Amor (1)

 


         Queridos amigos... No último domingo celebramos o mistério da Misericórdia que nos ultrapassa, mas nem por isso temos o direito de não busca-la e isso é um verdadeiro drama que foi poetizado sob o olhar de Adélia Prado: “Amor, pra mim, é ser capaz de permitir que aquele que eu amo exista como tal, como ele mesmo. Isso é o mais pleno amor. Dar a liberdade dele existir ao meu lado do jeito que ele é.” Dessa forma temos uma perspectiva que é capaz de descer aos escombros da experiência humana mostrando-nos que o amor nos liberta quando há uma justa misericórdia em relação a quem amamos, entretanto “Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis?” (Mt 5, 46). Assim o caminho indicado parece se abrir para o impossível de que o amor humano possa encontrar na misericórdia de Deus uma liberdade que atinge sua plenitude quando chegar a amar os contrários da existência com aquele Olhar de misericórdia, que é mais profundo que os meus limites e isso se realiza somente quando Ele “nos comunica as suas próprias disposições, infunde em nós, com a caridade, a sua própria capacidade de amar a todos” (Raniero Cantalamessa). Ótima semana!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O Legado de Bento XVI

Dedicação à Igreja

O Papa Bento XVI deixa um legado extraordinário à Igreja e ao mundo; uma vida inteira dedicada a ela com todo ardor, humildade e zelo apostólico. Desde padre jovem, participou do Concílio Vaticano II (1963-1965) como assessor teológico de seu bispo. Depois, viveu intensamente sua vida na Alemanha como bispo e cardeal. Foi eleito como um dos únicos sacerdotes da Academia de Ciências do Vaticano.
Durante 25 anos, foi Prefeito da “Sagrada Congregação da Doutrina da Fé” do Vaticano, braço direito do Papa João Paulo II, seu grande amigo. Nessa função, teve de enfrentar as heresias modernas de uma teologia da libertação marxista, empolgada com uma falsa “igreja popular” que nasce do povo e não de Deus e de Seu Filho Jesus. Com firmeza, o então cardeal Ratzinger teve de enfrentar as injustas e maldosas críticas dos falsos profetas apoiados pela mídia secular. Foi obrigado a punir teólogos desviados da “sã doutrina” como Leonardo Boff e Jon Sobrino, estrelas da TL (Teologia da Libertação).
 
 
Ele foi um profeta que sempre falou de Deus com a fidelidade e a coragem dos grandes personagens bíblicos. Não teve medo de enfrentar e continuar os erros da teologia da libertação marxista, pedindo aos bispos do Brasil, em 05/10/2010, que a eliminassem de suas dioceses tendo em vista o seu grande perigo para a Igreja e para a fé do povo. Disse: “As suas sequelas, mais ou menos visíveis, feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa, anarquia fazem-se sentir ainda, criando nas vossas comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de forças vivas.”
O Conclave que o elegeu Papa foi rapidíssimo; os cardeais eleitores entenderam com clareza que não havia outro gigante à altura de substituir João Paulo II no comando da Barca de Pedro.
Logo que assumiu o pontificado, iniciou sua luta contra o que chamou de “ditadura do relativismo”, a qual nega toda verdade e ensina que cada um faz a sua, algo que destrói a família e a sociedade. O Papa é o paladino e arauto da verdade que salva (cf. Catecismo §851). Ele mostrou que o relativismo “mortifica a razão, porque ensina que o ser humano não pode conhecer nada com certeza além do campo científico positivo”.
Bento XVI, de maneira afável, humilde e reservada, com palavras moderadas e profundas, fez um trabalho apostólico fundamental superando as declarações desviadas dos que “querem uma Igreja desestruturada e que pregam uma teologia libertária, bem longe da verdadeira libertação preconizada na Bíblia”, como disse o Cônego José Vidigal.
Aos bispos que ordenou, no último dia dos reis magos, ele deixou claro que a Igreja não vai mudar só para agradar. “A aprovação da sabedoria predominante não é o critério a que nos submetemos. Por isso, a coragem de contrariar a mentalidade prevalecente é particularmente urgente para um bispo. Ele deve ser corajoso.”
Bento XVI “é um dos maiores intelectuais do mundo contemporâneo e tornou-se um dos mais notáveis Pontífices da História da Igreja”, disse o Dr. Ives Gandra Martins.
O Papa deixa-nos três encíclicas fundamentais: Deus caritas est, Spes salvi e Caritas in veritate, que precisam ser estudadas detalhadamente, porque apontam soluções claras para os problemas do mundo moderno. Elas nos mostram o perfeito conhecimento de todos os problemas da realidade mundial a partir do homem, procurando salvar os verdadeiros valores da humanidade.
Bento XVI abriu um diálogo profundo com os intelectuais, especialmente os ateus, com o Programa “Pátio dos Gentios”, levando o debate a eles nas maiores universidades do mundo, buscando quebrar a mentira de que entre a ciência e a fé haja uma dicotomia.
O Papa deixa-nos uma quantidade imensa de excelentes livros, especialmente a série “Jesus de Nazaré”, escrita durante o pontificado, mostrando a realidade histórica de Jesus e a coincidência do Cristo da fé com o da História. Dr. Ives Gandra disse que “talvez tenha sido, em 2 mil anos de história da Igreja, o pontífice mais culto e o que mais escreveu”.

 
 
Bento XVI foi um Papa corajoso; não teve medo de enfrentar as acusações injustas que recebeu de ter sido omisso diante dos casos de pedofilia, e agiu com energia para corrigir o problema. Não se curvou diante de tantas blasfêmias contra ele, como a recente e deplorável peça de teatro na PUC de São Paulo (Decapitando o Papa). Por outro lado, não se curvou diante de um feminismo barulhento, também interno à Igreja, e de um modernismo vazio que quis lhe impor a quebra do celibato sacerdotal, a aceitação da ordenação de mulheres e outros erros.
Tal como um novo São Bento de Núrcia, Bento XVI deu início ao reerguimento do Ocidente. O primeiro enfrentou os bárbaros com seus monges cultos e santos espalhados em toda a Europa; o novo Bento enfrentou os “novos bárbaros” que não saqueiam casas e cidades, mas matam as almas e os valores e civilização cristã que tanta luta e sangue custaram dos filhos da Igreja.
Bento XVI soube interpretar e defender o Concílio Vaticano II dos ataques injustos que recebeu tanto dos ultraconservadores que quiseram ver nele as causas dos problemas da Igreja e do mundo, bem como dos avançadinhos ultramodernos que querem ver no Concílio um absurdo “rompimento da Igreja com seu passado”. O Papa soube dar continuidade à “Primavera da Igreja”, a qual o Concílio nos trouxe, como disse João Paulo II. E agora nos deixa o “Ano da Fé” e a proposta de uma nova evangelização.
Mesmo a renúncia de Bento XVI é um legado importante para a posteridade, porque é um gesto de profunda humildade e desapego, corajoso, coerente e fervoroso. Um ato de desprendimento das coisas terrenas, num tempo em que todos se apegam ao poder para se promover, para fazer valer a sua vontade etc. Penso que essa decisão histórica do Papa fará com que outros tenham a mesma coragem de repetir o seu gesto quando isso for necessário.
 
Professor Felipe Aquino 
 
Artigo publicado no site da Canção Nova